sábado, 10 de janeiro de 2009

Visitas

Por estes dias recebemos aqui bem pertinho, a sul do Pico, a visita de uma baleia-franca boreal (Eubalaena glacialis).
Conhecida em inglês com "right whale" (a baleia certa), foi dizimada pela actividade baleeira industrial no século XIX, pois o seu corpo flutua quando a baleia é morta, permitindo que seja rebocada. Desde 1888 que não se avistava nenhuma nos Açores. Aliás, existem menos de 300 exemplares desta espécie no Atlântico Norte.
As baleias-francas têm marcas específicas que permitem distinguir cada indivíduo. Assim, os técnicos do Departamento de Oecanografia e Pescas da Universidade dos Açores conseguiram identificá-la como o espécime nº3270 do Catálogo das Baleias-francas do Atlântico Norte. É uma fêmea, solitária, que tem sido avistada desde 2002, especialmente nas costas dos Estados Unidos da América. Bem-vinda!
Saiba mais sobre a Baleia-franca e oiça as suas canções: http://www.voicesinthesea.org

Todos os dias somos recordados que os Açores são um sítio único. Incomparável. Irrepetível. Infelizmente, isso poucas compensações traz às gentes daqui. Os poderes e capitais instituídos preferem apostar em hoteis, resorts, golfes e terminais de cruzeiros modernaços, em vez de valorizarem o que nos faz diferentes de todos os outros sítios da terra: Este mar que sempre pôs pão na mesa dos açorianos. Este mar-limite, fronteira e espaço de liberdade. Este mar que nos prende. Este mar que nos chama. Este mar que as velhas baleias sábias conhecem bem e onde vêm matar saudades. Bem-vinda.

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